Conhecer para crescer

“Demanda atual é pela interdisciplinaridade, pelo cruzamento de perspectivas que as diferentes áreas podem oferece”, diz Débora Emm

Giovana Oréfice

Em 2013, Débora Emm foi uma das selecionadas da segunda edição do projeto 30 Under 30, de Meio & Mensagem. Sua jornada na Inesplorato, empresa na qual é sócia, teve início três anos antes. Formada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP) e em Comunicação Social pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a profissional atua há quase doze anos na curadoria de conhecimento. A Inesplorato — inexplorado, em italiano — surgiu de uma inquietude de Débora e se de dica ao diagnóstico de profissionais e empresas para explorar conteúdos relacionados a eles e, assim, elaborar e criar insights relevantes. O desafio de encurtar a distância entre pessoas ou empresas e o conhecimento que pode transformá-las se mantém, sobretudo, na era em que a tecnologia é fator determinante na aceleração da troca de informações.

Débora Emm, sócia da consultoria Inesplorato (crédito: divulgação)

Meio & Mensagem — Qual é o papel da curadoria de conhecimento para o desenvolvimento da carreira profissional?
Débora Emm — Os perigos e os problemas relacionados ao excesso de informação estão ficando cada vez mais evidentes. Até o começo dos anos 2000, a sociedade ainda estava encantada com as oportunidades que a internet nos oferecia ao aumentar a produção e distribuição de informações. Com o passar do tempo, fomos descobrindo que o aumento absurdo de escala criou um labirinto extremamente complexo, onde é muito fácil nos per der. Neste contexto, o cuidado com a nossa relação com o universo informacional é uma questão de sobrevivência, tanto como cidadãos e quanto como profissionais de qual quer área. É importante ressaltar que a curadoria de conhecimento não é sinônimo de filtro, mas, sim, de um método que envolve desde ganho de consciência de necessidades de conhecimento, elaboração de informações até criação de experiências de aprendizagem.

M&M — E, atualmente, qual é o peso da tecnologia no trabalho da Inesplorato?
Débora — Nosso trabalho só é possível pelos diferentes meios que usamos para acessar, organizar e armazenar informações. E, claro, me diante a pandemia, tudo o que fazemos passou a acontecer à distância, o que era incabível pensar dois anos atrás. Nosso atual desafio é usar cada vez mais tecnologia no processa mento e elaboração de dados. Em 2020, fizemos alguns projetos aliando nosso raciocínio analógico a uma base de dados gigantesca sobre as cidades brasileiras. Nesses projetos identificamos as cidades mais influentes do Brasil na disseminação de comportamentos, algo que vale ouro para nossos clientes.

M&M — A pandemia aumentou esforços na curadoria por conta do excesso de informações com as quais nos deparamos diariamente?
Débora — Sim! A pandemia escancarou a urgência do investimento na curadoria de conhecimento para lidar com a efervescência e a instabilidade do mundo. Nada é definitivo, tudo está em processo de transformação a todo momento e, agora, podemos sentir diariamente os impactos desse fluxo constante de incertezas. Desde o começo da pandemia, sentimos o aumento da demanda por nossos projetos para o entendimento do furacão que estamos enfrentando. Esse é um processo sem volta. Quem ainda não tinha entendido que os riscos de se perder no caos informacional são muito grandes, agora corre atrás do prejuízo.

M&M — Quais são as principais necessidades de jovens talentos e negócios em termos de curadoria de conhecimento?
Débora — Para jovens talentos o desafio maior está na compreensão de que é preciso investir tempo para processar informações e transformá-las em conhecimento. Tempo para pesquisar, analisar, elaborar… um processo desconfortável que exige, inclusive, tempos sem consumo de novas informações. Este desafio, de certa forma, também é dos mais latentes para as empresas. Na pressão dos resultados de curto prazo, cronogramas insanos atropelam o pensar e geram ações equivocadas que poderiam ser evitadas com um pouco mais de tempo de estudo e profundidade. Na Inesplorato, o que temos percebido como necessidade latente no mercado, tanto para jovens talentos como para negócios como um todo, é a busca pela evolução da nossa humanidade. Há 11 anos começamos a fazer curadoria de conhecimento oferecendo aos nossos primeiros clientes a oportunidade de estudar o machismo e suas manifestações na comunicação de marcas. Naquela época, poucos deram espaço para um tema como este. Hoje, ainda bem, isso mudou! Já é bem mais evidente que devemos melhorar enquanto sociedade e que isso passa pelo mundo do trabalho. Inteligência social começa com o cuidado com nosso repertório e essa é uma busca crescente.

M&M — Quais são as áreas de conhecimento mais demandadas por profissionais e empresas atualmente?
Débora — A demanda atual é pela interdisciplinaridade, pelo cruzamento de perspectivas que as diferentes áreas podem oferecer.

M&M — Quais são os principais impactos da metodologia e dos diagnósticos da Inesplorato na atuação de empresas e profissionais?
Débora — Criamos o método de curadoria de conhecimento para colaborar com a evolução humana. A cada projeto realizado, vemos isso acontecer na prática. Por exemplo, ao trabalhar com roteiristas de histórias infantis, colaboramos para que personagens que influenciam crianças brasileiras sejam mais diversas, falando a língua de um tempo que não aceita mais o racismo, o machismo, o capacitismo e a LGBTfobia. Ao ampliar a visão de nossos clientes sobre a realidade do Brasil para além do que acontece nas ruas de São Paulo, facilitamos a criação de estratégias muito mais certeiras para o desenvolvimento das cidades do interior do País. E, claro, tudo isso sempre aliado a melhoria dos resultados de negócio das empresas que atendemos, que passam a inovar com mais relevância.

 

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